Sunjammer: quase como no conto de Arthur C. ClarkeBoris PavlischevBoris Pavlischev

Sunjammer, Tecnologia, Espaço, nave espacial, NASA
Boris Pavlischev


© www.jspec.jaxa.jp

Até finais de 2014, a NASA irá lançar para o espaço uma grande "vela solar". O aparelho ligeiro Sunjammer será fixado num quadrado gigante de uma finíssima película de polímero que lhe irá permitir se deslocar exclusivamente graças à pressão da luz. Os peritos querem saber como se irão comportar os aparelhos no espaço sem um motor tradicional.

O fabrico da "vela" foi encomendado pela NASA a uma firma privada da Califórnia. Durante os primeiros dois meses de permanência no espaço, os cientistas irão verificar a governabilidade do aparelho. Os seus lados poderão se desviar, alterando a direção da luz refletida e, consequentemente, do vetor de empuxo. Depois dos testes, a "vela solar" irá se dirigir ao seu ponto de destino, o ponto Lagrange L1 (ele se encontra na linha entre o Sol e a Terra, a 1,5 milhões de km da Terra), e ficará lá a balançar usando a pressão da luz. O equilíbrio é instável em L1, mas era precisamente aí que seria útil instalar uma sonda de aviso precoce das erupções solares que provocam as tempestades magnéticas na Terra. Para manter uma sonda convencional em L1 seria necessário combustível.
O nome Sunjammer foi retirado de um conto homônimo do escritor de ficção científica Arthur C. Clarke sobre regatas de "iates solares". Ele não será a primeira "vela" no espaço. Ainda em 1993, a estação orbital Mir (Paz) desenrolou o Znamia-2 (Bandeira-2), um espelho solar gigante feito de uma película fina, para verificar se se podia usá-lo para iluminar o lado noturno da Terra. A experiência foi um êxito: a Terra foi percorrida por um raio solar refletido com uma dimensão de 5 km. A Rússia tentou, nos anos 2000, lançar uma "vela", mas desta vez como propulsor, explica o investigador principal do Instituto de Estudos Espaciais da Academia das Ciências Russa Nathan Acemont:
"O aparelho foi feito pelo Consórcio Aeroespacial Lavochkin, ele deveria ter sido lançado a partir de um submarino. É como testamos os mísseis balísticos. Houve a proposta de utilizar esses lançamentos com fins científicos, mas um míssil balístico sem modificação não serve para isso. O míssil levou um estádio adicional, mas durante o lançamento o segundo estádio não funcionou. O satélite com a "vela" não foi colocado em órbita".
Também a NASA fez experiências com "velas" na órbita terrestre: os aparelhos NanoSail-D e NanoSail-D2. No entanto, as capacidades propulsoras da vela foram melhor demonstradas apenas pelo aparelho japonês IKAROS, que foi lançado em 2010 em direção a Vénus. Graças à luz, ele em meio ano teve uma aceleração de 100 metros por segundo.
Quando os cientistas tiverem uma melhor ideia de como se comportam no espaço os "veleiros solares" poder-se-á pensar nas futuras missões. Além das sondas científicas, elas poderão consistir na travagem e retirada da órbita terrestre dos satélites antigos e demais lixo espacial. Seria tentador utilizar um aparelho estacionado sobre o Pólo Sul como retransmissor de sinais de rádio – os satélites de comunicações normais quase não "veem" o polo. É mesmo provável um voo a Marte, diz o membro-correspondente da Academia Russa de Cosmonáutica Yuri Karash:
"Para uma deslocação em direção a Marte, é necessário desenrolar uma vela com o tamanho de 10-15 campos de futebol. Isso será uma estrutura enorme que será difícil de controlar. Já não falando que não será tão fácil montá-la no espaço. Assim, a ideia é bonita, mas para a sua realização prática em grande escala ela terá ainda de ser desenvolvida do ponto de vista da engenharia e da construção".
De acordo com os peritos, um empuxo "luminoso" de apenas 1 grama, como tem o Sunjammer, não é assim tão pouco. Com essa força se pode realizar as mesmas manobras que são feitas pelos motores de foguete, só que durante bastante mais tempo. Também é preciso ter em conta que, ao afastarmo-nos do Sol, a pressão da luz cai bruscamente: ao pé de Júpiter, o empuxo da mesma vela será 100 vezes mais fraca que na órbita terrestre. Assim, uma viagem até aos arredores longínquos do Sistema Solar com um "motor" desses demorará muito tempo.

 Fonte: Voz da Rússia
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