O fundo monetário dos BRICS

BRICS, fundo monetário
© Colagem: Voz da Rússia

Os países que integram o grupo BRICS irão criar um fundo monetário único. A decisão de princípios já foi tomada: esta reserva comum será indispensável no caso de mais uma crise econômica.

Agora o Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul discutem parâmetros concretos e condições de acumulação de reservas monetárias. Foi indicado também o volume deste fundo – 240 bilhões de dólares. Todavia os peritos, entrevistados pela Voz da Rússia, afirmam que a criação deste mecanismo de créditos mútuos tem também um importante aspecto político.

A concepção da criação do fundo anti-crise do grupo BRICS surgiu ainda em junho deste ano. Na cúpula de G20 no México, o vice-ministro das finanças da Rússia Serguei Storchak disse abertamente que este fundo será criado se o Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul não puderem exercer devida influência sobre a adoção das decisões do Fundo Monetário Internacional, que se encontra agora em fase de reforma. “É evidente que os países – membros do grupo BRICS entraram na fase em que podem exigir que a sua opinião seja levada em consideração”, disse Storchak.

Com efeito, aos cinco países que integram este grupo correspondem 43% da população do planeta e cerca de 18% do PIB mundial. O total das suas reservas beira 4 trilhões de dólares. Mas a necessidade de recorrer à ajuda do Fundo Monetário Internacional impõe ao país tamanhas obrigações que é tempo de falar da renuncia à soberania econômica. A Rússia já passou por tudo isso na década de 90.

O crescente poderio econômico do grupo BRICS permite reclamar também um papel mais alto na política mundial, - afirma o analista financeiro Roman Andreev.

Creio que a ideia básica consiste em dar a entender à comunidade mundial que na Terra existem não somente o Fundo Monetário Internacional e Banco Mundial e que não somente eles é que podem impor as suas regras. Neste caso prevalecem precisamente os motivos políticos, trata-se de uma certa alternativa ao Banco Mundial, ao Fundo Monetário Internacional e a outros fundos que são criados agora na Europa. Creio que se trata do desejo dos países – membros do grupo BRICS de mostrar que os países emergentes não podem ser descartados, que é perfeitamente possível que em breve os atuais países emergentes passem para a categoria de países evoluídos e que precisamente eles irão recomendar aos países evoluídos que adotem as suas tecnologias políticas e econômicas.”

Os peritos do grupo BRICS agora discutem duas variantes de formação do fundo: alguns deles estão a favor de que os ajustes sejam feitos em dólares americanos, pois por enquanto não existe jeito de renunciar a esta moeda, enquanto que outros insistem na utilização do mecanismo de direitos de empréstimo especiais. Uma parte dos recursos do futuro fundo pode ser constituída por moedas nacionais dos países do grupo BRICS.

Aliás, ainda é cedo falar dos parâmetros definitivos do novo fundo monetário internacional, pois tudo ainda está em fase de conversações. Mesmo o volume indicado do fundo, - 240 bilhões, - não passa de uma estimativa preliminar. Por exemplo, a China insiste na concessão de importantes reservas para que no mercado mundial “este fundo seja tomado a sério”. Espera-se que todas estas questões sejam resolvidas antes da cúpula dos lideres do grupo BRICS a realizar-se em março do próximo ano, na África do Sul.

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