Os astrofísicos designam este objeto espacial de Sgr A* (a sigla Sgr significa a constelação de Sagitário). As imagens demonstram um aumento provisório da intensidade de luz, ou seja, a erupção de raios X que vem evidenciando um incremento da atividade do buraco negro.
O próprio buraco negro, cuja massa supera em milhões a massa do Sol, está eclipsado. A sonda registrou a emissão de raios X, originada por uma substância adjacente, que se acelera a ritmos vertiginosos. Se o buraco negro absorve certo volume em matéria, neste processo se emite uma grande quantidade de energia. Daí pode-se ver a erupção de raios X, resultante do aumento da intensidade de emissões eletromagnéticas.
As observações foram efetuadas em julho, juntamente com o observatório espacial Chandra (NASA) que funciona em um diapasão de emissões menos enérgicas, e em paralelo com o observatório astronômico terrestre W.M. Keck, situado no Havai , e operando no espectro visível e infravermelho.
Seria prematuro qualificar o fenômeno de uma descoberta científica. O laboratório espacial NuStar logrou registrar a irradiação que caracteriza o comportamento do buraco negro em questão. Todavia, os dados obtidos por meio do telescópio, segundo realça a diretora científica do projeto, Fiona Harrison, ajudarão a compreender por que é que o Sgr A*, reputado como "calmo", tem revelado essa intensificação da atividade. O NuStar mantém a sensibilidade elevada em diapasão eletromagnético estreito para poder enxergar de perto estes processos.
Mais do que isso, é surpreendente o facto de o Sgr A* se portar de maneira tão tranquila, embora, há uns séculos, tivesse sido muito mais ativo, conforme apontam cientistas russos. Houve tempo em que absorvia a substância limítrofe em grande escala, tendo sido então mais brilhante em meio a raios X.
Em 1993, o laboratório análogo russo GRANAT descobriu uma emissão eletromagnética intensiva procedente da nuvem molecular (interestelar) Sgr B que se encontra à distância de 10 parsec do Sgr A* (equivalentes a 300 trilhões de km). Os cientistas russos Rashid Siuniaev, Maxim Markevitch e Mikhail Pavlinski, do Instituto de Pesquisas Espaciais, explicam o fenômeno de seguinte maneira: a nuvem molecular continua a "refletir" a luz produzida pelos raios X, emitidos pelo buraco negro super massivo, o qual, há 300 anos, era milhões de vezes mais brilhantes do que agora.
A hipótese veio a ser confirmada mediante o observatório orbitalINTEGRAL da Agência Espacial Europeia (ESA). Em 10 anos de pesquisas, se tornou claro que a irradiação da nuvem interestelar Sgr B vem diminuindo, já que o buraco negro Sgr A* se mantém inativo, tendo emitido os fótons originais.
Apesar da "sonolência", o Sgr A* poderá "acordar" em 2013 devido à pequena nuvem de gás que se desloca rumo ao buraco negro. No próximo ano, esta nuvem aproximar-se-á do buraco negro, cobrindo distância de 40 bilhões de km. Esta distância, por sinal, é 270 vezes maior do que a distância que separa a Terra do Sol. Supõe-se que, graças à força de maré resultante da gravitação do buraco negro, a nuvem molecular comece desintegrar-se, enquanto que uma parte da matéria se deslocará para o buraco negro, causando assim a intensificação de sua atividade. Por isso, os astrônomos e astrofísicos poderão assistir a um espetáculo espacial sem precedentes.